Acordou sob o convite para um almoço em família. Levantou-se, se olhou no espelho e resolveu encarar a multidão que o esperava sair do quarto. Mas na verdade queria ter esticado por no mínimo mais umas cinco horas aquela noite de sono, a noite mais bem dormida em duas ou três semanas.
Quando toda aquela louça deixou de ser maltratada por talheres famintos e todo aquele falatório foi vencido pela preguiça pós-almoço, dirigiu-se até a piscina, e, sob influência do domingo entediante, pôs-se a pensar. Diferente das outras vezes, a forma que ele via as coisas havia mudado, a emoção do dia anterior havia dobrado os joelhos perante a razão, o fazendo cair de cabeça na água fria e sentir que toda aquela sensação de inutilidade dissolvera. Caberá somente a ele fazer jus a todas as palavras ditas durante toda a caminhada e a toda a personalidade lapidada até então.
Baseando-se em observações, viu modo de agir de um primo – por que não irmão? – o qual perante a horda de filhos da puta que denominam-se amigos, apenas os mandam para a puta que pariu, e, tranquilamente, corre atrás dos objetivos, voltou a ser o ”carrasco” de sempre, irônico e despreocupado com insignificâncias. Saindo da frustração com a cabeça erguida e confiante na volta por cima, com a sensação de dever cumprido. Se sacanearam, paciência, a vida tem dessas coisas.
Enfim, teve um dia diferente dos outros, um dia para ser lembrado como o marco zero de uma nova perspectiva.
Gustavo Guedes
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Escrever a história é um modo de nos livrarmos do passado. [Johann Goethe]










Que coisa linda =)
Para mim seria: Teve [b]mais[/b] um dia diferente dos outros, um dia para ser lembrado como o marco zero de uma nova perspectiva.
Mas eu sei que você é bem mais centrado do que eu!
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